Bonzinho só se ferra?

Frase tão conhecida no mundo amoroso é aplicável na carreira?

Todo mundo conhece (ou é, vai saber né?) o famoso “escorão” ou “encostado“. Aquela pessoa que pede para colocar o nome dela na capa do trabalho na faculdade, que sai de férias e deixa todas as pendências dela no seu colo, obviamente todas elas estão com prazos estourados, aquele cara que sempre tem uma desculpa, saca?… sempre “está muito ocupado” para algo que você pede, mas quando você olha o computador dele, ele está olhando um site de compras… sacam esse tipo de pessoa? E ainda tem o mais cara-de-pau que quer levar os créditos, né? É f**a, eu sei!

Quando você é o do tipo que realmente se empenha, sem ligar tanto assim para recompensas imediatas, você acaba sempre tendo esse tipo de pessoa escorada em você de alguma maneira. E é difícil tirar esse cara da sua aba, porque você é bonzinho e quase nunca gosta de contrariar alguém.Você sabe como fazer o serviço, então por que não fazer logo? Pra quê criar caso, né?

Bonzinhos no trabalho normalmente são pessoas que não sabem dar um “não” quando alguém pede ajuda. Não estou falando sobre ser submisso, mas sobre realmente querer agradar, ser a pessoa que todo mundo pode contar e, querendo manter essa imagem, acaba pegando muito trabalho que seria de outros e vários folgadinhos colam em você.

Daí você vai se atolando de trabalho, acaba tendo que ficar até mais tarde, se estressando para caramba, o que pode acabar comprometendo tudo. Seu trabalho, sua carreira e, de quebra, sua vida pessoal.

Mas aí vem, até onde comprometer o projeto, a gerência ou até mesmo a empresa deixando de fazer o trabalho dos outros? Até onde você compromete dizendo esse “não”?

Levar o escorão nos ombros pode custar caro para todo mundo, inclusive para o próprio evitador de fadigas em questão. O bonzinho se lasca por motivos óbvios, levou o trabalho nas costas, tá recebendo o mesmo salário e ainda tá tomando menos chopp com a galera. O folgado, primeiro de tudo pela desonestidade, depois porque não desenvolve suas habilidades e, quando precisarem mesmo dele, ele não vai saber fazer nada, vai acabar queimando o próprio filme.

E o terceiro, e que eu queria dar uma atenção especial aqui, é o chefe do bonzinho. Normalmente, o chefe do cara bonzinho não nota essa situação e, quando nota, muitas vezes já é tarde demais. Muitas vezes os gerentes de fora, de outras áreas, principalmente de áreas clientes, notam essa situação muito antes do próprio chefe, o que acaba rendendo boas ofertas de vagas, já que todo mundo que alguém com perfil “fazedor” na sua equipe e paga bem por eles. E, quando o chefe dá conta, o trabalho está todo comprometido por ter deixado aquilo na mão de uma pessoa só e ela ter saído dessa para uma melhor (no bom sentido, nesse caso). Faço questão de chamar de chefe mesmo, pois bons gerentes ou líderes não deixam isso acontecer em sua equipe. E é aqui que vem o grande pulo do bonzinho.

As oportunidades aparecem muito mais, é só ter paciência. Mas não estou falando aqui de você ser capacho, fazer tudo e ficar esperando cair do céu uma oportunidade, não se trata disso. Ser passivo quanto à sua carreira é um dos maiores erros que você pode cometer. Mas, com paciência, quando aparecem essas oportunidades é justamente quando “o pulo do gato” do bonzinho aparece, para poder deixar de se ferrar e passar a ser “a referência” da parada.

Você, que leva duas ou três pessoas do grupo nos ombros, sabe muito mais sobre diversos processos e já é bem visto e percebido por outras áreas, e, quem sabe até por outras empresas. É nesse ponto que você deve investir um pouco mais no seu marketing pessoal, investir numa boa oratória para apresentações de seus projetos. A hora de apresentar é onde quem realmente fez, quem realmente batalhou no projeto se sobressairá. Aqui deixo bem claro que não é para denegrir ou querer puxar o tapete do coleguinha escorão. Não diga frases do estilo “eu fiz tudo”, ou “porque eu pensei mais”, mas mostre que você sabe do que você tá falando e entende tudo dali e que colaborou (bastante até) para aquele resultado porque, com certeza, o amigo folgado não saberá tão bem sobre as dúvidas da platéia ou clientes, e é aí que seu trabalho aparece. Não precisa pisar na cabeça de ninguém, que fique bem claro.

Quando você trabalha e faz a propaganda certa disso, você deixa de só se ferrar, meu amigo bonzinho. Quando digo a propaganda certa, porque tem gente que gosta de “trabalhar em voz alta”, principalmente nosso colega Jaiminho (pra evitar a fadiga!) que faz um relatório, uma planilhinha e já quer contar para todos a sua produtividade e, normalmente, não esse é o marketing correto. Mostrando os resultado bons, bem apresentados e para as pessoas corretas, certeza você cresce sendo bonzinho!

É muito fácil ouvir pessoas por aí falarem para você deixar de ser bonzinho, que você tem que colocar suas prioridades na frente e aprender a dizer não, mas esse que vos fala também tem essa grande dificuldade. Por isso não quis escrever mais um texto sobre isso… isso você consegue na terapia, tentei só dar um enfoque que, enquanto você não consegue dizer não e parar de deixar os outros se aproveitarem, tira proveito disso! =)

P.S.: Já notaram que o o amigo mais escorão normalmente é o que mais reclama da “falta de oportunidades” na empresa.

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