35. (CESGRANRIO – TRANSPETRO – ADMINISTRADOR/2011)

Uma empresa decidiu contrair em 30 de junho seu único financiamento no valor principal de R$ 36.000,00 que será amortizado no prazo de 2 anos, pagos em parcelas mensais constantes. Os juros totais do empréstimo, no valor de R$ 2.400,00, foram pagos antecipadamente na data da liberação do empréstimo e serão apropriados de forma linear. Os saldos das contas específicas relacionadas a essa operação, na data do Balanço de 31 de dezembro deste mesmo ano, em reais, serão:

 

 

 

 

 

 

COMENTÁRIO

Antes de começar a questão, vamos à alguns conceitos básicos.

Primeiramente a questão dos prazos:
– Curto prazo é tudo que vence até o fim do exercício social seguinte. Tirem da cabeça o “1 ano” que aprendemos nas cadeiras de estratégia da faculdade. Muita gente se confunde com isso. O exercício social, normalmente, é de janeiro a dezembro. Então, se estamos em Janeiro/2012 o curto prazo é até o fim do exercício social seguinte, ou seja, até dezembro/2013. Tudo que vence até o fim de 2013 é curto prazo, após isso, ou seja 2014 em diante, é longo prazo.

Depois questão de despesas antecipadas:
– São despesas que foram pagas ou que são devidas antecipadamente, mas que se referem aos períodos subsequentes.  A grosso modo, é como se estivéssemos pagando parcelado para a contabilidade. Ou seja, já pagamos tudo, está tudo como um direito (ativo), mas a contabilidade vai diminuindo desse direito de acordo com que a obrigação incorre, ou seja, vai apropriando esse direito à medida que “aparece” a obrigação. Se paramos para pensar em um seguro: A empresa paga todo no começo do ano, mas vale pelo ano todo. Ou seja, a obrigação do prêmio do seguro incorre mensalmente. Então, ao invés de jogar tudo em um só mês, sacrificando o mês, a contabilidade deixa como um direito e mês a mês vai tirando esse direito até zerar. Logicamente, na contabilidade se estuda esses lançamentos muito mais a fundo, mas para nós da administração basta sabermos os conceitos.

Indo para a questão:

– Em Junho ele contraiu uma divida de 36.000,00 em 24 parcelas iguais. Ou seja, parcelas de R$ 1.500,00.
– Os juros são de 2.400,00 a serem apropriados linearmente, ou seja, igualmente durante a duração do financiamento, como são 24 meses, ficam R$ 100,00 de juros por mês.
– Estamos em dezembro e ele não falou em entrada, ou seja, a primeira parcela do financiamento foi paga somente em julho. O que nos dá 6 parcelas. Agora podemos montar uma linha do tempo e resolver tranquilamente.
(Montei essa linha do tempo como um gráfico no Excel, facilita mais do que desenhar, hehehe)

De azul, estão as parcelas do principal a ser pago. De vermelho, os juros sendo apropriados linearmente.

Pois bem, a questão nos dá 4 contas:
– Passivo Circulante: A dívida de curto prazo, lembrando que estamos em Dez/X1, ou seja, curto prazo é que vence até Dez/x2. De dívida temos 18.000,00 com as parcelas do principal.
– Passivo Exigível a Longo Prazo (PELP): O que vence após Dez/x2. Temos de parcela principal 9.000,00.
– Ativo despesas antecipadas: Ele não nos deu prazo, então contamos todos os direitos que temos, ou seja, os juros que foram pagos e ainda serão apropriados. 600,00 + 1.200,00 = 1.800,00.
–  Despesas de juros: O que já foi apropriado como juros do período = R$ 600,00.

RESPOSTA LETRA C

Não esqueçam do FACEBOOK.

8 Comentários

  1. Marcelo

    “Circulante” sempre se refere a curto prazo ? (tanto ativos quanto passivos?)

    obrigado!

    Responder

    1. Sim Marcelo,
      sempre circulante é relacionado ao curto prazo, qualquer que seja o que venha antes. Ativo ou passivo.
      só lembre da definição de curto prazo (dada na questão). muita gente confunde isso!

      Bruno

      Responder
  2. Carol

    Excelente explicação!!
    Por que os professores falam q CP = 1 ano!?? =/
    Ter q desaprender pra aprender é complicado!!

    Responder

    1. Opa Carol.
      CP = 1 ano ainda vale lá na estratégia, onde colocam Curto prazo em um ano, médio prazo entre 1 e 5 (varia muito de livro para livro, já vi 1 a 5, 1 a 3, 1 a 4)… e longo prazo após o prazo do médio, que também depende do livro. Isso é na estratégia… na finanças/contabilidade conta o exercício social. Até o fim do próximo é curto prazo, após o fim do próximo é longo.

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  3. Wíverson Cardoso

    Pessoal, não sei se vcs ficaram com mesma dúvida, pq eu sempre ouvi na faculdade que o curto prazo é um ano, sempre a mesma história, aí de repente a gente tem que esquecer isso???

    É o seguinte: segundo a Norma NBC T 3.2 – Do Balanço Patrimonial, o curto prazo refere-se aos lançamentos que serão realizados até o fim do exercício seguinte, que geralmente é 1 ano. Acontece que esse 1 ano é referente a data em que o balanço foi publicado e não em relação à data em que o fato contábil ocorreu.

    No caso do exemplo, o financiamento ocorreu em 30/jun/X1, mas o balanço está sendo publicado em 31/dez/X1. O curto prazo vai até o fim do exercício social seguinte, 31/dez/X2, que vai dar (tcharan!!!) 1 ano.

    Acontece que a maioria dos professores resolve usar um atalho na explicação e fala logo que é 1 ano pra não criar dificuldades. Só que muita gente faz confusão e coloca como circulante 1 ano a partir da data em que o fato ocorreu, aí começam os problemas…

    O texto da NBC T 3.2 – Do Balanço Patrimonial é exatamente esse aqui:

    “I – Circulante

    São as obrigações conhecidas e os encargos estimados, cujos prazos estabelecidos ou esperados, situem-se no curso do exercício subseqüente à data do balanço patrimonial.

    II – Exigível a Longo Prazo

    São as obrigações conhecidas e os encargos estimados, cujos prazos estabelecidos ou esperados, situem-se após o término do exercício subseqüente à data do balanço patrimonial.”

    Espero ter ajudado!!! 🙂

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